Open sources, Software comercial e Licenciamento
Submetido por themage em 2005-01-12 02:04:13
com as tags falamfalam.
Tudo começa com as bocas de um ex-colega de trabalho, que trabalha ainda na mesma empresa, onde agora estou em regime de outsourcing...
Antes de continuar há que esclarecer que do outro lado se encontra um programador web/sysadm windows. O seu cavalo de batalha é o MS SQL Server. Eu, pelo meu lado, utilizo e sou certificado em MySQL 4, e apenas utilizo Linux. Mas a questão é mais abrangente do que isso. A questão é ainda a velha disputa OpenSource vs. Software Comercial.
Mas não nos ficamos por aqui. A MySQL AB decidiu ser permissiva e portanto dificultou ainda mais a vida a quem está do nosso lado. Digo nosso porque acredito que a MySQL AB é tão simpatizante do movimento opensource como eu e como tanto outros.
Lajos Moczar vem dividir as iniciativas OpenSource em dois grupos, o das iniciativas voluntárias e o das iniciativas comerciais/coorporativas, e faz questão de frisar bem que um deles o preocupa. A mim não. Acho que ambas fazem parte do mesmo movimento e que no fundo têm inspirações idênticas.
Na minha opinião a grande diferença entre as duas é a dimensão dos projectos. Empresas como a MySQL AB, JBoss Inc., e tantas outras são a única forma de fazer cá fora o que o Berkeley Computer Science Department, da University of California fizeram com o PostgreSQL. Um grupo de programadores dedicado a um projecto da dimensão que têm o JBoss ou o MySQL precisa de fontes de receitas.
Mas na prática isso também acontece com a FSF ou com a ASF. Sim, são fundações sem fins lucrativos, mas isso não quer dizer que não tenha estruturas a manter, que não tenha quadros a suportar.
É facil apontar o dedo e dizer "O MySQL é pago para fins comerciais", especialmente se nem sequer se pensar no que se está a dizer. Porque senão vejamos:
Postas as coisas desta forma, para que serve a licensa comercial do MySQL? Precisamente para que os senhores que não acreditam na liberdade (mas acreditam no gratuito) possam continuar a utilizar as bibliotecas do MySQL e ainda assim vender os seus programas sem distribuir as sources.
Como assim? Quem programa, é pago para isso, mas depois entrega as source do seu trabalho ao cliente não precisa de se preocupar com o licensiamento comercial, uma vez que está a distribuir software licensiado em GPL, ou com licensiamento compatível GPL. A licensa GPL não permite que seja exigido qualquer pagamento além do estrito custo de fornecimento das sources.
PELAS sources.
Não refere no entanto qualquer proibição acerca de custos de instalação, costumização, implementação ou assistência ao software. Mas refere que têm que ser fornecidas as sources, ou conjuntamente com a distribuição binária, ou sob pedido, sem que a esse fornecimento possa ser acrescentado valor (obtido lucro).
A sabedoria sufista diz-nos que nada que seja bom é gratuito. E nada poderia estar mais contextualizado que esta situação. É uma questão de preço. Esta é uma expressão que costumo usar quando se fala de software. É uma questão de preço.
A questão que se coloca é qual é o preço que consideramos razoável?
Mas este é o caso da MySQL AB.
E os casos estritos opensource? O caso do servidor web Apache, por exemplo? Posso criar um produto baseado no servidor Apache e distribui-lo sem fornecer as sources? De forma alguma. E neste caso nem sequer existe a opção de licensiar esta possibilidade. Mas mais do que isto, a Apache License, Version 2.0 prevê mesmo no seu ponto 3 que se o proprietário de uma patente contribuir com código para um produto distribuido sob esta licensa, ou para um produto derivado, automáticamente concede direito á pessoa a quem distribuiu o software para utilizar esse codigo patenteado, e modificá-lo, copiá-lo e redistribui-lo a seu bel-prazer.
Assim, utilizar software estritamente opensource como base para o nosso trabalho facilita-nos a escolha... permitir que a comunidade decida se quer fazer mais ou melhor sobre o nosso trabalho é a nossa unica opção.
Eu consigo viver bem com ela. Afinal de contas esse é o preço que estou disposto a pagar. Mas não estou disposto a pagar para que outros fiquem mais ricos, dando-me menos em troca, e sem quaisquer garantias.
O que ganho com isso? Mostro o meu trabalho, e de cada vez que alguém utiliza uma linha de código que desenvolvi fico um pouco mais orgulhoso.
E de cada vez que alguém fizer mais e melhor eu continuo a poder fazer ainda mais e ainda melhor.
E posso ganhar pouco com isso, mas nós ganhamos muito.
E em utilizar produtos comerciais, o que ganhamos?
Antes de continuar há que esclarecer que do outro lado se encontra um programador web/sysadm windows. O seu cavalo de batalha é o MS SQL Server. Eu, pelo meu lado, utilizo e sou certificado em MySQL 4, e apenas utilizo Linux. Mas a questão é mais abrangente do que isso. A questão é ainda a velha disputa OpenSource vs. Software Comercial.
Mas não nos ficamos por aqui. A MySQL AB decidiu ser permissiva e portanto dificultou ainda mais a vida a quem está do nosso lado. Digo nosso porque acredito que a MySQL AB é tão simpatizante do movimento opensource como eu e como tanto outros.
Lajos Moczar vem dividir as iniciativas OpenSource em dois grupos, o das iniciativas voluntárias e o das iniciativas comerciais/coorporativas, e faz questão de frisar bem que um deles o preocupa. A mim não. Acho que ambas fazem parte do mesmo movimento e que no fundo têm inspirações idênticas.
Na minha opinião a grande diferença entre as duas é a dimensão dos projectos. Empresas como a MySQL AB, JBoss Inc., e tantas outras são a única forma de fazer cá fora o que o Berkeley Computer Science Department, da University of California fizeram com o PostgreSQL. Um grupo de programadores dedicado a um projecto da dimensão que têm o JBoss ou o MySQL precisa de fontes de receitas.
Mas na prática isso também acontece com a FSF ou com a ASF. Sim, são fundações sem fins lucrativos, mas isso não quer dizer que não tenha estruturas a manter, que não tenha quadros a suportar.
É facil apontar o dedo e dizer "O MySQL é pago para fins comerciais", especialmente se nem sequer se pensar no que se está a dizer. Porque senão vejamos:
- O licensiamento normal do MySQL é GPL.
- A licensa GPL prevê que qualquer trabalho derivado, ainda que apenas parcialmente derivado, tem que ser distribuido sob licensiamento GPL.
- Isto significa que qualquer aplicação que utilize MySQL é obrigatoriamente GPL.
- Assim, se alguém fizer uma qualquer aplicação que utilize as bibliotecas do MySQL e depois vender essa aplicação, tem que disponibilizar as source dessa aplicação.
Postas as coisas desta forma, para que serve a licensa comercial do MySQL? Precisamente para que os senhores que não acreditam na liberdade (mas acreditam no gratuito) possam continuar a utilizar as bibliotecas do MySQL e ainda assim vender os seus programas sem distribuir as sources.
Como assim? Quem programa, é pago para isso, mas depois entrega as source do seu trabalho ao cliente não precisa de se preocupar com o licensiamento comercial, uma vez que está a distribuir software licensiado em GPL, ou com licensiamento compatível GPL. A licensa GPL não permite que seja exigido qualquer pagamento além do estrito custo de fornecimento das sources.
PELAS sources.
Não refere no entanto qualquer proibição acerca de custos de instalação, costumização, implementação ou assistência ao software. Mas refere que têm que ser fornecidas as sources, ou conjuntamente com a distribuição binária, ou sob pedido, sem que a esse fornecimento possa ser acrescentado valor (obtido lucro).
A sabedoria sufista diz-nos que nada que seja bom é gratuito. E nada poderia estar mais contextualizado que esta situação. É uma questão de preço. Esta é uma expressão que costumo usar quando se fala de software. É uma questão de preço.
A questão que se coloca é qual é o preço que consideramos razoável?
- Devolver á comunidade aquilo que a comunidade nos dá, fornecendo as sources dos nossos programas para que a comunidade possa fazer mais e melhor em cima do nosso trabalho?
- Ou pagar o justo valor á MySQL AB para que eles possa continuar a trabalhar para a comunidade, coisa que nós não fazemos?
Mas este é o caso da MySQL AB.
E os casos estritos opensource? O caso do servidor web Apache, por exemplo? Posso criar um produto baseado no servidor Apache e distribui-lo sem fornecer as sources? De forma alguma. E neste caso nem sequer existe a opção de licensiar esta possibilidade. Mas mais do que isto, a Apache License, Version 2.0 prevê mesmo no seu ponto 3 que se o proprietário de uma patente contribuir com código para um produto distribuido sob esta licensa, ou para um produto derivado, automáticamente concede direito á pessoa a quem distribuiu o software para utilizar esse codigo patenteado, e modificá-lo, copiá-lo e redistribui-lo a seu bel-prazer.
Assim, utilizar software estritamente opensource como base para o nosso trabalho facilita-nos a escolha... permitir que a comunidade decida se quer fazer mais ou melhor sobre o nosso trabalho é a nossa unica opção.
Eu consigo viver bem com ela. Afinal de contas esse é o preço que estou disposto a pagar. Mas não estou disposto a pagar para que outros fiquem mais ricos, dando-me menos em troca, e sem quaisquer garantias.
O que ganho com isso? Mostro o meu trabalho, e de cada vez que alguém utiliza uma linha de código que desenvolvi fico um pouco mais orgulhoso.
E de cada vez que alguém fizer mais e melhor eu continuo a poder fazer ainda mais e ainda melhor.
E posso ganhar pouco com isso, mas nós ganhamos muito.
E em utilizar produtos comerciais, o que ganhamos?


