Natal em Família

Mais um natal se passou, e com ele aproxima-se vertiginosamente o final do ano. Mas ainda que antes do final do ano pretenda escrever um post de resoluções de novo ano, este é mesmo sobre o natal, a festa da familia.

Para mim o natal - sim, insisto em escrever natal, apesar da tendência generalizada de escrever Natal - é acima de tudo uma época de familia. Não necessariamente da familia biológica, mas principalmente da familia escolhida - até porque, para mim, essa a verdadeira familia.

Os meus pais faziam ambos parte de familias grandes, pelos nossos padrões actuais pelo menos. O meu pai era o segundo de quatro irmãos e a minha mãe a quarta de cinco irmãos. Ainda me lembro, na minha infância mais remota de algumas reuniões em casa dos meus avós maternos, mas foram ocasiões raras, e nunca muito cordiais, ou talvez porque as relações mais recentes nesse ramo da familia não sejam muito cordiais nas últimas decadas, não são cordiais as memórias que lembro.

Mas a verdade é que talvez isso também de deva ao facto de eu sempre ter vivido muito mais perto da casa dos meus avós paternos, e por isso passei muito mais tempos com esse lado da familia. Mas lembro com saudades os poucos natais passados com todos os meus tios (paternos) e primos (filhos deles), com a minha irmã (o meu irmão juntou-se a nós seis anos depois da minha irmã).

Se me perguntarem não sei como a casa da minha avó (sim, da minha avó porque o meu avô morreu bastante mais cedo, e mesmo quando o meu avô era vivo era a minha avó que mandava em todos nós, em parte talvez porque o meu avô esteve emigrado, e foi a minha avó que durante alguns anos controlou toda aquela familia) se tornou no casarão que era. Foi crescendo aos poucos, e ao longo de gerações, acredito. Mas nos meus tempos de criança chegou a albergar permanentemente 3 familias (a minha, a de um dos meus tios e a da minha avó, que incluia ainda a minha tia - casas separadas, unidas apenas pelo interior de uma larga adega/arrecadação, que era o rés-do-chão de uma das casas). E, claro, nesta alturas a familia do meu outro tio também lá pernoitava por alguns dias. Hoje não me consigo lembrar nem perceber como lá dormia tanta gente.

Contando bem eramos oito adultos, quatro adolescentes (a minha tia, duas primas e um primo) e duas crianças (eu e a minha irmã). E era uma grande confusão, principalmente comigo e com a minha irmã, que os adolescentes já se comportavam um bocadinho.

Mas a verdade é que o pouco que recordo dessas festevidades, além das nossas tropelias - claro - é da boa disposição quase geral - a minha mãe nem sempre se integrou muito. O meu tio mais novo tinha uma boa disposição contagiante, um bom humor que nunca mais encontrei em ninguém. Tinha sempre uma boa história para contar, fosse algo completamente idiota que lhe tinha acontecido, fosse um pequeno detalhe do trabalho, fosse uma banal anedota que rapidamente transformava numa história completamente nova.

Lembro-me de longas conversas, que duravam horas, em que ninguém concordava mas todos discordava cordial e agradavelmente.

E lembro-me de longas sardinhadas em Agosto.

E tenho saudades da grande familia! Mas da grande familia animada, divertida e cordial.

E este ano o natal foi assim. A familia ainda não é tão grande, são só duas miudas e seis adultos, mas acho que podemos chegar a algum lado, algum dia.

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