A nossa sociedade

Diariamente os (tele)jornais presenteiam-nos com números e estatísticas - e nos últimos tempos o desemprego seria uma das mais desesperantes, não fosse 10% ser um número irrelevante e que não toca na cabeça das pessoas.

Mas o que esse número diria, se fosse verdade, é que por cada 10 pessoas que querem trabalhar, há uma que não tem emprego. Que não tem trabalho, que se esforça - a maioria deles pelo menos, para encontrar alguma coisa que lhe permita meter pão na mesa, mas sem qualquer sucesso, ou com alguma (muita) sorte, o suficiente para não se deitar com o estômago completamente vazio, mas definitivamente subnutrido, ou que vive graças às ajudas de amigos, familiares ou até de completos desconhecidos.

Mas a verdade é ainda mais dura do que isso, os desempregados que não são contados são muitos. São aqueles que não têm direito a subsidios, e que por isso são apagados das listas para reduzir os números oficiais, são aqueles que procuram o seu primeiro emprego e não conseguem começar a trabalhar, são aqueles que trabalham de graça na esperança, e com a promessa, que o seu estágio um dia termine e lhes seja pago um ordenado para continuarem a fazer o trabalho que a sua empresa já factura aos seus clientes, são os "independentes" que pouco ou nada conseguem realmente ganhar, são os vendedores de porta em porta que apenas ganham comissões - sobre o que não conseguem vender, muito menos em épocas de crise.

Como eu gostaria de viver numa sociedade que se preocupasse com o bem estar de todos, e não apenas com o lucro fácil e imediato de uns poucos.

Se chegaram até aqui e não perceberam o que originou este post, foi este tweet da Cristina Lopes (@kizapac) - se não estão ligados à Cristina, podem ler o texto que ela refere em http://twitzer.com/4Bfzj.

Não conheço a pessoa em causa, mas infelizmente conheço algumas pessoas que estão em situações parecidas, e outras que tendo emprego ou estado reformadas vivem bastante abaixo do ideal, ou mesmo do razoável.

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